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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Quem não tem cão, caça com gato

E mais um dia começa.
Acorda às 5 da manhã.
Toma um banho.
Veste a roupa que já estava escolhida sobre o sofá.
Dá um beijo na esposa.
Espia o sono das crianças.
Pega a mochila.
Compra um ticket para o metrô.
Metrô lotado.
Empurra daqui.
Empurra de lá.
Desce na estação do Mercado.
Pega o ônibus.
Ônibus lotado.
Empurra daqui.
Empurra de lá.
Desce 15 minutos depois.
Pega outro ônibus.
Ônibus lotado.
Empurra daqui.
Empurra de lá.
Desce no Mercado.
Compra um ticket para o metrô.
Metrô lotado.
Empurra daqui.
Empurra de lá.
Volta pra casa.
Agora são a recém 8 e 30 da manhã.
Porém, já fez o dinheiro do dia: 15 carteiras, 7 celulares e 2 anéis.
E amanhã, mais um dia começa, só que em novo turno, em outra rota.

Sólido

Tudo que parece sólido, ainda tem muito que sedimentar.
Tudo que sedimenta, muda a superfície.
Quando muda a superfície, enxergamos de outra maneira.

Não inimiga. Apenas não mais tão amiga.
Já a outra, de não mais tão amiga, pra amiga-irmã.

A vida chega a ser ridícula.
Sempre que temos certeza de alguma coisa, ela não exita e trata de provar que estamos errados. Talvez seja esse meu medo. Talvez seja essa a razão para eu não querer mais aceitar pensar em algo sólido.

2pi

De sensualidade hipotenusal
De sutileza tangencial
De lágrimas secantes
De mudanças no sono: suno, sino, sano, seno
Soluçando um raio de raio um
Disponibilizando todos os ângulos
Tricotando todas as relações...
És tu!
Meu,
todo meu,
todo nosso,
círculo trigonométrico!

Nem vou ler, é muito grande!

Não sei por qual motivo ainda me surpreendo com a falta de iniciativa política dos jovens.
Não falo da política eleitoral partidária, mesquinha, corrupta e necessária.
Falo da política em sua forma mais sublime de brutalidade. Aquela do berço, do convívio com o vizinho, com a família. Aquela natural, a qual executamos sem nem prestarmos atenção.

Quando se fala em política logo se ouve a frase "Eu não gosto disso, nem me meto!".
Ela vem como uma flecha, lançada por um índio suicida e com muito boa pontaria, procurando entrar na minha mente. Por um infinitésimo ela desvia do alvo. Salva por um infinitésimo.

Ainda me pergunto quem está certo. Mesmo que não por razão, e sim, por maioria de votos, a política "correta" é a auto-beneficente.
Todos agem procurando a promoção individual, que acabam esquecendo o único objetivo da política que respiramos: o bem comum.

Na vida tudo passa. Até a nossa vida passa. E depois?
Os auto-privilegiantes serão esquecidos juntos com seus legados pobres. Afinal, passaram na vida por passar. Aproveitaram cada oportunidade para jogar conversa fora, à sombra de uma árvore vistosa, regada a crenças ridículas e não seguidas. Viveram mergulhados em paredes ocas, com mais conteúdo colaborativo universal que eles mesmos, pois até as paredes faziam algo diferente de que olhar o próprio umbigo. Paredes politizadas. Já eles, politiqueiros!

É tão fácil fazer o bem, sem olhar a quem.
É tão melhor fazer o bem, sem olhar a quem.

Só peço que antes de reclamarem da Presidente da República, antes de reclamarem do governador do seu estado, antes de reclamarem do reitor da sua universidade, antes de tudo isso, MEXAM-SE.
Seria perfeito, mas, ainda, nada se faz com o poder da mente. A mente é apenas o início.
Portanto use toda sua potência pensante em prol da política verdadeira, da política de diretórios acadêmicos, de associações de moradores, a política sem fins lucrativos, a belíssima política que deixa algo diferente de zero.

O tempo da falácia

O tempo muda muitas coisas.
Muda a concepção de mundo, infinito, limites.
Muda conceitos, preconceitos, respeitos.
Muda momentos alegres para tristes.
Muda o formato do corpo, dos peitos.

Ninguém é para todo sempre gatinho
Ou inocente.
Aquele quer ficar muito tempo no ninho,
Este, quer prá já ser independente.

Vem de tempo a tempestade
Conturbada entre o ponteiro do relógio na parede.
E a mente que pensa, já vai tarde.
Perdeu-se com a língua entre os dentes.

Cara, te liga!

Por que desligas o telefone na minha cara,
se sempre responde a todas as minhas mensagens?
Por que me queres
e me detonas junto aos farelos das toalhas de mesa de cozinha após o café da manhã?
Por que mudastes o jeitinho meigo,
pontual
e tímido das primeiras semanas?
Por que me fazes gato?
Sapato?
Chinelo?
Tapete?


Saibas que nada do que fizerdes mudará minha amplitude,
meu delay,
minha mágoa,
minha ironia.


És tão ambíguo!
Doce sereno.
Salgado estalado.
És meu número primo preferido, meu querido.


És meu querido!


Previsivelmente imprevisível.
Periodicamente cauteloso-irresponsável.
Desordenadamente metódico.


Não descobri se és hiperbólico...
Não desvendei teu imaginário...
Não quero jamais possuirdes.


...Quero apenas acompanhardes.


Casa comigo?

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Hoje eu tô com raiva!



To com raiva de ti, deles, de mim, de nós, da internet (que tá lenta pra caraii)!!

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!

Me obrigo a gritaaaaar no silêncio de um blog...

Queria que estivesse chovendo, pra eu poder sair gritando na chuva!!!

Não sei o que me possui... Não to legal hoje!

To revoltada! E daí?!



Apague tudo o que você já leu sobre VALORES. Vou te contar a verdade. O SER nunca importou nem importará para ninguém. O que importa é única e exclusivamente os TER.
Se você tem isso, você é legal.
Se você tem isso, você é ouvido.
Se você tem isso, você é respeitado.
Se você tem isso, você tem mais momentos felizes.

Não interessa se todos que estão a tua volta são interesseiros, se são amigos comprados. Se você TEM, você tem todos os amigos que quiser. Coloridos, cintilantes, fofoqueiros, acanhados, crentes, diabólicos, todos se vendem por uma bela garoupa. Às vezes não precisa de tanto, uma onça ou dois micos-leões-dourados já bastam. É deprimente saber a verdade. Que todos, ou quase, te julgam pelo teu sapato, pela tua roupa, pelo teu cabelo.

Muito mais valor pode ter aquele que está à beira da calçada te pedindo uma moeda ou uma comida de maneira simples e real, do que aquele ser engravatado, que te engana e te engana e te engana.

É revoltante ter que saber de tudo e ser incapaz de uma atitude contra esse vício da sociedade!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

As maiores loucuras são as mais sensatas alegrias...


Dica de Balada Quente




Dentre tantas coisas imperdíveis para se fazer, é difícil selecionar apenas uma. Então vamos fugir do protocolo e indicar um baita programa!
Pense num lugar pra se ir sozinho, com os amigos ou a dois. O prazer é o mesmo, embora acabe tendo um ar mais romântico neste último caso. Uma grande vantagem que vejo é não precisar viajar à Europa, aos Estados Unidos - nem à China, que é hoje a grande moda de tudo - para frequentá-lo. Se existe uma pessoa ou outra que nunca esteve em um, eu desconheço, o que permite sugerir que você é também um privilegiado, isso sem precisar de camarote ou lista VIP.
Certamente já passou muitas vezes por um, sem sequer olhar para o lado e prestar a devida atenção.
Não fecha aos finais de semana, férias ou feriados. Mas fecha cedo, o que pode ser um revés aos amantes da vida noturna. É, portanto, um happy-hour e, como todo, dar uma passadinha por ali ao final de um dia de estudo ou trabalho pode ser um ótimo remédio contra o estresse ou mesmo a tristeza, funcionando como algo que te faça cair na real e ter a certeza de que o mundo dá voltas.
E o melhor ainda está por vir: o preço. É uma pechincha. Não é cobrada entrada nem consumação.
Endereço: logo ali fora, pertinho de você.Horário de funcionamento: todos os dias, por volta das 18h.
Preço: R$ 0,00.
foto: 
Vista do Rio Guaiba (Porto Alegre / RS). Mas o lance é achar a sua. 


http://blog.vivoon.com.br/posts/999-dica-de-uma-balada-quente

sábado, 25 de junho de 2011

Eles pioram, sempre pioram



Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê...

(8)


Um dia isso muda! (ou não...)


Os palhaços também choram


E hoje me perco ao ver minha imagem no espelho...
Não sinto vontade de nada.
Estou desacreditada do mundo.
Escutar coisas as quais não fazem juízo a realidade e ter que baixar a cabeça. Isso não é do meu feitio.
Porém, teve que ser assim.
A lágrima que escorre mesmo sem querer. Que rola no rosto e escolhe salgar minha boca.
Este é meu dessabor atual.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Da espera


 E no fim de tudo,
o que esperamos é reciprocidade.

Do bem-querer no olhar.
Do sucesso depois do estudo.
Do encontro do real sintoma de amar.
Da palavra na boca do mudo.

Sim...
Reciprocidade!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A UERGS e o tucano que voou


“Tu acha que eu vou perder o meu tempo? Tenho coisas mais importantes para fazer!”

Isso foi o que eu ouvi de uma pessoa que estuda na Uergs, não do mesmo campus que o eu. Fiquei estarrecida com essa atitude, pois quando estudávamos juntas, no ensino médio, a postura dela era totalmente diferente perante questões inquietantes.

A Uergs está com um dilema de falta de professores e isso ocorre não de hoje. Ainda há pouco, liguei para minha amiga que também cursa na Uergs e fiquei sabendo que alunos do campus dela iriam a Porto Alegre tentar uma reunião com o Tarso, nosso governador, por causa dessa falta de professores. Fiquei até animada com a notícia, pois nesta segunda-feira (04.04.2011) fundamos o CAESD (Centro Acadêmico da Engenharia em Sistemas Digitais) justamente para poder lutar por essas e outras melhorias. Neste momento, perguntei se ela iria a tal reunião e obtive a lastimável primeira frase deste texto como resposta.

O problema da sociedade atual é provocado por pessoas que também dão essas respostas. Importar-se com a totalidade é defender a cada um de um modo genérico e prático. Lutar por uma causa de todos, na minha visão, não é perder tempo, muito pelo contrário. Perder tempo é ficar vendo televisão acomodadamente em seu sofá, esperando que algo mude. Somar forças é ganhar tempo, é acelerar o processo, afinal, já diz o ditado, “muitas cabeças pensam melhor do que uma”. Minha amiga poderia simplesmente ter dito que não tem tempo para deslocar-se ou que não gosta da burocracia política que gira em torno da Uergs, mas nunca, sendo aluna-pilar, dizer que querer promover o bem comum seja perda de tempo.

Estamos em uma Instituição que tinha tudo para dar errado, mas não deu, para minha sorte. Enfrentamos uma realidade de infra-estrutura precária e falta de professores, porém, temos o título de 3ª melhor universidade do Rio Grande do Sul, na frente de muitas faculdades renomadas, como a Federal de Santa Maria, PUC, Unisinos e cia ltda.

A Uergs se manteve viva por seus alunos, professores e funcionários, durante longos anos de tirania tucana (lê-se Yeda) aqui no estado. Imagine se todos os alunos pensassem como a minha amiga. Nossa universidade já estaria fechada há algum tempo.

Hoje, eu mais três colegas conversávamos justamente sobre este assunto, como melhorar a faculdade. Chegamos à mesma barreira, que é o comodismo, indiferença e até mesmo ignorância de alguns.

Não canso de repetir: seja no que for, sozinho não se vai longe! A solução é reunir toda a massa que vive no mundo Uergs e mostrar que estamos dispostos a fazer o que for para aperfeiçoarmos nossa instituição de ensino superior, a qual não é pequena e sim, espalhada.

Quase todos os estados brasileiros têm universidades estaduais bem-sucedidas. Por que temos que ser diferentes? Sei que comparar a Uergs com qualquer outra estadual é meio desleal e utópico, mas vivemos esse sonho, que é possível e de fácil execução, isso, se as autoridades cumprirem com suas promessas.

(texto escrito em 06.04.2011)

domingo, 3 de abril de 2011

Entre a vida e o MSN




Abro meu MSN e ele está lá, verde. Penso em chamá-lo, mas fico ali, com a página aberta, vendo sua foto.

Lembro tudo o que vivemos. Era outubro, nós dois tínhamos terminado com nossos namorados, ele, com sua namorada. Saímos numa tarde bonita, vimos o estuário, pegamos um vento maravilhoso. Quando sentamos no trapiche não pude me negar em acariciar seus cabelos. Amo cabelos masculinos ao vento, no brilho do sol. O cabelo dele era irresistível. Estávamos nós, mais dois amigos. Ele teve que sair mais cedo, pois já estava na hora de ir para seu trabalho, mas algo o prendia. Foi e voltou algumas vezes até o ponto do ônibus, até que armou seu argumento rapidamente. Resolveu dar um abraço de tchau em cada um, deixando-me por último, e na minha vez fez algo diferente. Não foi aquele o melhor beijo da minha vida.

Depois de muita conversa pelo MSN, ficamos mais amigos que sempre. Eu sabia da sua infância, dos seus problemas. Eu sabia um pouco de quase tudo da vida dele e ele da minha. Fui motivo oculto de um post do blog dele, o título era em inglês, mas dizia “Demônios na minha cabeça e anjos na minha vida” ou pelo menos era algo parecido. Eu abria diariamente, muitas vezes por dia, o blog dele. Lia, relia e lia de novo. Todavia, não éramos nada um do outro, apenas amigos.

Eu sabia que encontrava nele a resposta para qualquer pergunta. Poderia perguntar a coisa mais inibidora, que qualquer garoto da face da terra se negaria a responder. Ele responderia com a maior simplicidade, com o mesmo tom de voz que falava de matemática. Seu jeito diferente de ser me chamava atenção desde o primeiro momento em que o vi. Era um jeito delicado e misterioso. Alguns o achavam um tremendo chato, que sempre tinha resposta para tudo. Eu o achava esperto. Ele se achava esperto. Talvez fosse um dos seus defeitos: achar-se inteligente.

As primeiras semanas de novembro continuavam com sua doçura, seu encanto. Nossos ex’s nos chamavam no MSN, pediam para reavaliarmos nossas decisões de término. Ele me dizia para ser forte e não cair na lábia do meu ex, coisa que ninguém precisaria me falar.

Ele me contou que foi numa festa e viu sua ex com outro indivíduo. Estava nítido o abalo físico-emocional sofrido no final de semana. Ele havia tomado um porre de uísque e fumado alguns cigarros, algo do qual não fazia desde o último término, há alguns anos atrás. Contava-me com legítima franqueza tudo o que sentia. Contou da atração pela ex, da dor, de como ela sabia fazê-lo sofrer.

A ex-namorada dele acabou perdendo o emprego. Eles moravam juntos há alguns meses e tinham um contrato de aluguel de 1 ano (e uma multa de quebra de contrato) do apartamento. Ela estava com muitos problemas, pois a poupança que ele deixou não duraria muito tempo. Sem namorado para dividir as despesas, sem emprego e sem mãe, ela se obrigaria a pedir ajuda a seu pai, o que seria muita humilhação na visão dela, pois ele simplesmente a abandonou quando criança.

Em alguns dias pude perceber que não existia a mesma coisa que existia em outubro. Estávamos distantes. Muito próximos em metros, mas tão longe de alma que foi preciso me contar tudo o que estava acontecendo por MSN. Ele voltou com a ex. Hoje o vejo ali, verde, disponível. Não tenho mais coragem de chamá-lo. Desisti. Algumas vezes o chamei com um “oii!!” e nada foi-me respondido. Outrora perguntei se ele estava chateado comigo. Recebi uma resposta off-line “to chateado não!” e só.

Só quero saber por que ele não me bloqueia ou exclui? Por que me deixa vê-lo, ver seus subnicks, muitos para ex que hoje é a atual? Sei que nunca tivemos nada, que sempre nunca passou de amizade. Então por que isso me incomoda? E se para ele também foi só isso, sempre isso, por que ele não me trata como antes, não me trata como sua amiga? Prometo para mim, nunca mais o chamarei. E se a vontade do clique duplo sobre seu nome prevalecer, obrigar-me-ei a bloqueá-lo e excluí-lo.

sábado, 2 de abril de 2011

Sentimental



É, tem dias que acordamos assim, mais sentimentais que o normal. Hoje é um desses dias. Sem ter explicação, qualquer lembrança boa já se faz imensa saudade. Tanta, que o peito dói. Tanta, que a vontade de reviver tudo é a única coisa que passa pela cabeça. Saudade revivida por fotos, textos, palavras, músicas ou só lembranças mesmo.

Melancolia com nostalgia = saudade... combinação bombástica!

Aconteceu na Rádio Tupi SP

Locutor: – Quem fala?
Ouvinte: – É o Vicente.
Locutor: – De onde, Vicente?
Ouvinte: – Lapa!
Locutor: – Olha aí, Vicente da Lapa! Valendo o kit com camiseta e CD do Edson e Hudson. Presta atenção!
Qual é o país que tem duas sílabas e se pode comer uma delas? Prestou bem atenção? Há um país com 2 sílabas e 1 delas é muito boa para se comer.
Dez segundos para responder.
Ouvinte: – CUBA!
Locutor: Mudo por alguns segundos, com a turma do fundo morrendo de tanto rir.
Tá certo, seu Vicente! Vai levar o prêmio pela criatividade. Mas aqui na minha ficha estava escrito JAPÃO…

Danoninho? (a pausa entre as palavras faz todas a diferença!)


Os dois menores contos de fada do século XXI

O PRIMEIRO:

Era uma vez uma linda moça que perguntou a um lindo rapaz:
- Você quer casar comigo?
Ele respondeu:  NÃO!
E a moça viveu feliz para sempre, foi viajar, fez compras, conheceu muitos outros rapazes, visitou muitos lugares, foi morar na praia, comprou outro carro, mobiliou sua casa, sempre estava sorrindo e de bom humor, nunca lhe faltava nada, bebia cerveja com as amigas sempre que estava com vontade e ninguém mandava nela.
O rapaz ficou barrigudo, careca, o pinto caiu, a bunda murchou, ficou sozinho e pobre, pois não se constrói nada sem uma MULHER.
FIM!!!



O SEGUNDO:

Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa independente e cheia de auto-estima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse: - Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. A minha mãe poderia vir morar conosco e tu poderias preparar o meu jantar, lavarias as minhas roupas, criarias os nossos filhos e viveríamos felizes para sempre...
E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã à sautée, acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: - Nem fo....den...do!
FIM!!!
 (ambos os contos são do Luiz Fernando Veríssimo)

Brincando com a Lua

Fotógrafo profissional e jornalista científico, Laurent Laveder criou a série Moon Games, composta por diversas imagens que mostram pessoas interagindo com a Lua.

Capturando as cenas por um ângulo específico, o artista faz parecer que o satélite está realmente ao alcance das mãos dos homens e mulheres que, posando para as lentes do artista, brincam de jogá-lo para cima, ou pousá-lo na xícara de café.

Especializado em fotos do céu, Laveder faz parte do coletivo The World At Night, que reúne 30 dos melhores astrofotógrafos do planeta.















segunda-feira, 28 de março de 2011

Não espere eu ir embora pra perceber


Estava chovendo. Já era início do inverno. Ela desce do carro do seu colega, um Chevrolet Stilo, grafite. Da janela eu a admirava ao som de “Like a G6”, a música que foi sucesso do verão. Mesmo sem saber, ela dançava pra mim. Um sobretudo cinza, um sapato alto vermelho, uma calça jeans skiny azul escuro e uma básica branca, distribuídos em aproximadamente 1,65m de altura. O balanço suave que o caminhar dava aos cabelos compridos fazia exalar o perfume que ela usava. Pena que eu estava longe, atrás do vidro, mas ainda assim sentia seu perfume. Ela saiu correndo com a pasta sobre a cabeça para não se molhar e entrou no seu prédio. Esta foi a primeira vez que a vi.

À noite, chegando no Red Pub, onde eu era barman, não conseguia esquecer a imagem da mulher desconhecida. As noites de sexta costumavam ser agitadas e aquela não foi diferente. Mas foi especial, pois em certo momento da noite, quando olhei para porta, vi fisicamente a mulher que não saia da minha cabeça. Ela e sua amiga sentaram-se à mesa 8, que ficava em um ambiente mais resguardado. Alguns minutos depois chegaram dois homens e também se sentaram à mesa 8. Acredito que estavam se conhecendo, pois tudo tinha a maior cara de primeiro encontro. Prestei atenção neles pelo resto da noite para ver se descobria alguma coisa. Descobri que o nome dela era Luna e que apenas o homem que a acompanhava não trabalhava na mesma empresa que ela, os outros eram colegas. Antes de irem embora, os quatro se dirigiram ao balcão e pediram um drink o qual era a minha especialidade. Por alguns segundos fui o centro das atenções de Luna.

Todos os dias acompanhava o ritmo da vida dela, observando-a pela minha janela. Vi quando eles começaram o namoro. Quando tiveram a primeira briga. Quando fizeram as pazes. Quando ele foi viajar. E quando voltou com uma loira no carro. Ele estava com uma caixa embaixo do braço e foi frio com ela. Ela fingia não estar sofrendo, mas naquele dia apareceu lá no Pub.

Não pude perder a oportunidade de ir lá atendê-la. Fui simpático e puxei conversa. Luna me deu papo, mas em nenhum momento me olhou no olho. Ela estava muito embriagada e já era hora de fechar o bar. Ela me ofereceu carona, dizendo que era muito perigoso andar pela noite escura. Na verdade, era mais perigoso ir com ela, pois nem caminhar ela estava conseguindo. Optei por aceitar. Minha casa ficava duas quadras do meu trabalho. Demoramos 37 minutos para chegar. A mulher parou numa esquina escura e começou a chorar, contando tudo o que tinha acontecido, desde o começo do romance até a aparição da loira. O pior não foi isso. O pior foi que ela vomitou alguns drinks no volante de seu Voyage novinho. Convenci-a a abandonar seu carro ali mesmo, pois caminhar é legal e faz bem pra saúde. Quase a carreguei no colo por diversas vezes. Deixei-a na porta do seu apartamento.

No outro dia, digo no mesmo dia, às 9 horas da manhã, toca o meu telefone. Era Luna, com uma dor de cabeça gigantesca, agradecendo-me pela ajuda. Convidei-a para sairmos no domingo, mas ela recusou, dizendo que iria trabalhar. Por mais algumas vezes a convidei para sair, e todas as vezes ela recusou com alguma desculpa idiota.

Refleti sobre todas as minhas atitudes com esta mulher encantadora. Percebi que desperdicei 9 meses da minha vida com uma mulher que tem medo de se entregar, medo de arriscar, talvez por que eu seja barman e ela uma executiva. Demorei pra perceber, mas ela não era tão encantadora como parecia ser naquele dia de chuva. Demorei uma gestação!

Resolvi sair naquela noite pra não preparar drink algum, apenas para bebê-los. Encontrei uma garota que não era nenhum exemplo de beleza, mas tinha bom papo. No meio da conversa ela me contou que estava me observando antes de eu começar a observar a Luna, mas que nunca teve coragem de falar comigo além de pedir um drink. Para mim, eu nunca havia falado com a Carmem, portanto, ali foi a primeira vez que a vi.

As crianças jogavam bola na rua. A bola ficou presa na sacada do segundo andar. Sai pela porta uma mulher iluminadamente bonita. Roupão bordô de seda, pantufas de sapinho que não combinavam com nada, um cabelo amanhecido perfeito e um sorriso radiante. Ela entrega a bola amigavelmente para as crianças e olha diretamente para minha janela. Vê-me tomando chimarrão e me acena. Esta foi a segunda vez que a vi.

Algumas poucas semanas depois, Luna me liga, convidando-me para sair. Com todo o prazer de 9 meses de espera pude responder pra ela que não poderia ir, pois tinha que sair com uma amiga especial, a Carmem.

domingo, 27 de março de 2011

Na Cabana


Fomos pra uma praia da Lagoa dos Patos no verão. A mãe, o pai, eu e minhas amigas Taiany, Mary e Aline. Chegamos numa cabana linda, que ficava na terceira parte da cidade.

A cidade era pequena, dividida em três partes: a primeira, onde fica o velho engenho e a Praia do Caramuru (a parte mais antiga da cidade); a segunda, do lado de cá do Arroio Velhaco, onde fica o centro e a figueira mais velha do Rio Grande do Sul; e a terceira, onde está começando um loteamento (antes ali só existia mato, muito mato e uma ponte).

O pai tinha reformado toda a cabana, pois ela foi construída antes de existir cidade ali. Na varanda do meu quarto eu pegava uma brisa ótima, olhava pra rua da frente, pra um bar que tinha, enquanto as gurias ficavam tentando achar sinal pro celular e pra internet. Almoçamos e contamos muitas histórias, desde de bolsa de valores, política do Brasil, assaltantes de carros, romances, vídeos do you tube e desenhos animados. O tio Paulo chegou bem na hora da sobremesa, todos comemos uma ambrosia que a mãe tinha trazido de casa. Ele convidou o pai e a mãe pra ir pra lagoa e as gurias já se escalaram pra ir junto. Eu preferi tomar um banho antes, pois estava cansada da viagem e sabia que se eu fosse junto naquela hora, só tomaria banho às 3 da madruga, quando chegássemos em casa, pois convites e lugares pra ir não iriam faltar. Fui com eles até o portão e fiquei ali na sombra, vendo eles sumirem do meu campo de visão.

Quando parei de olhar pro nada, percebi estar sendo observada. Era um cara alto, possuidor de certo charme, uns 3 ou 4 anos mais velhos que eu, cabelos castanhos médio e uma barba que dava peso ao semblante de bom moço. Senti-me surpresa e sorri. O homem levantou-se da mesa com um copo na mão, venho vindo na minha direção, também sorrindo. Ele estava perto, mas usou a sombra das árvores que eu estava como pretexto de chegar mais perto ainda. Falou do calor, do forte sol escaldante das 3 da tarde e se apresentou, Deivid era seu nome. Lembro com perfeição a voz marcante daquele garoto, também lembro do sorriso de propaganda de creme dental que tinha, o qual me hipnotizava. Contou que se criou no Caramuru, estudou até a 8ª série ali na cidade mesmo, e que viu o velho Engenho ser fechado...

- Até que me mudei para Camaquã, -disse ele - pra terminar os estudos. Depois fui pra Porto Alegre fazer faculdade, passei pra contábeis na UFRGS. O povo lá de casa tava todo prosa, pois eu ia ser o 1º da família a ter um canudo, mas eu tava feliz mesmo porque ia morar na capital, na civilização, solito! Lembro a primeira vez que fui ao cinema, foi um filme de terror, “A Bruxa de Bler”... Mas falando em bruxa, você não tem medo?

Nessa hora a minha cara de abobada ficou surpresa, pois eu não tinha entendido a pergunta. Então Deivid resolveu me contar toda a história desde o início. Contou que há muito tempo atrás, nesta cabana, morava uma mulher chamada Dalva. Ela era uma espécie de curandeira do lugarejo. Sempre tinha as poções certas, o carisma certo, as palavras certas. Era uma mulher muito bonita, mas ninguém sabia sua idade, só se sabia que tinha mais que 35, porque seu filho mais velho tinha 23 anos. Ela tinha o homem que quisesse na sua mão, porém preferia viver na sua cabana, no meio do mato, sozinha, apenas com seus dois filhos. Protegia seus filhos de qualquer mal. Protegia até demais. Tinha muito ciúmes deles, pois ela foi expulsa de casa grávida e deu duro pra ter um teto, pão e leite, por isso acreditava ser dona dos garotos. Ela não percebia que eles já eram adultos.

O mais velho estava de namoro com a filha de um fazendeiro. Ele levou a garota pra cabana enquanto Dalva ia à cidade. Só que ela voltou antes do previsto e viu os dois juntos. Foi a primeira vez que se falou de alguma exaltação da Dalva. Ela expulsou e amaldiçoou a garota. Disse que enquanto o coração do filho dela quisesse estar longe da cabana, o que corria nas veias da garota não ficaria mais dentro dela. A namorada do filho da Dalva tossiu sangue durante uma semana e morreu. O fazendeiro, certo da bruxaria não pensou duas vezes e caçou Dalva como se caça veados. Ela foi morta e queimada. Percebeu-se na cidade que os filhos da Dalva também haviam desaparecido e resolveram entrar nesta cabana aí. Deivid olha pra cabana com ternura e angústia. Continua contando que quando entraram no sótão, os homens nada viram, mas uma garota de 7 anos viu o filho mais velho, caído num canto, desacordado. Tiraram o moço de lá. Ele se mudou pra São Paulo, pra uma cidadezinha onde um primo médico dele estava morando. A cabana ficou aqui sem ninguém entrar durante muitos e muitos anos e a cidade veio avançando cada vez mais. A filha do dono do bar da frente devia ter uns 6 ou 7 anos quando foi brincar de esconde-esconde com as amiguinhas. Foi se esconder no sótão e achou o filho mais novo da Dalva... vivo, com aparentemente 20 anos de idade! A surpresa foi gigante e a fofoca da cidade foi maior. Deivid me contou que a cabana foi a leilão depois de uns 6 anos que isso aconteceu. Então ele me perguntou de novo:

-Você não tem medo? – ele olhou pra cabana.

Respondi a ele que não tinha motivo pra temer nada. Que meu pai reformou tudo, lavou tudo e que também toda essa história deve ter sido exageradamente aumentada de geração em geração. Perguntei para o Deivid como ele sabia tudo aquilo e com toda aquela riqueza de detalhes. Ele me desconversou dizendo que a cerveja dele já estava quente, pediu que eu o esperasse onde estávamos. Tentei desconversar ele com o argumento de pegar uma cerveja na geladeira da cabana, cheguei a convidá-lo pra entrar, mas ele recusou e até se esquivou da idéia de entrar ali e rapidamente atravessou a rua, em direção à porta do bar. Eu esperei por ele. Esperei por uns 15 minutos. Fui no bar e perguntei pro atendente onde estava o Deivid, o cara disse que não conhecia ninguém com esse nome, então falei como ele era, e o cara disse que hoje não teve ninguém parecido ali. Fiquei pensando o que eu fiz de errado para aquele garoto, o que eu fiz para assustá-lo a ponto dele fugir. Entrei pra casa e fui tomar meu banho, pois já estava escurecendo.

Foi sem dúvida o melhor banho da minha vida. Foram 25 quilômetros de estrada de chão, sacolejando dentro do carro e eu já estava sem dormir a uma noite, então foi integrador esse banho. Cantei, refiz contas de matemática, converti números pra binário, tudo no chuveiro. Acabei esquecendo de tudo. Quando fui secar meu cabelo, alguém bate na porta. Era o Edu, um colega de faculdade. Eu fiquei muito surpreendida com aquela visita inesperada, mas feliz, ao menos não estava sozinha, eu só pensava no que diria a minha mãe quando ela chegasse e me visse com um garoto dentro de casa, como eu explicaria que éramos apenas amigos, colegas. Mas tudo bem, disse pra ele entrar. Conversávamos enquanto eu secava o cabelo. Papo vai, papo vem e o Edu me rouba um beijo. Foi um beijo roubado. Um beijo doce e envolvente. Senti-me corar, coisa quase que impossível. Ele percebeu tudo como se estivesse lendo meu pensamento. Às vezes me acho muito transparente, queria ser mais misteriosa. O Eduardo me beija de novo, me abraça e me beija de novo, sendo o último um beijo longo, provocante e reciprocamente amoroso.

Do meu quarto vejo a varanda, dela vejo o bar, no bar eu vejo o Deivid! Como eu estava com a boca temporariamente ocupada, preferi apenas observá-lo e mostrar que ele foi idiota em me esnobar. Ele balançou suavemente a cabeça para os lados, com ar de desaprovação e gritou “depois não diga que não te avisei!”. Eu nem dei bola pra ele. O que eu estava sentindo no momento com o Edu já me bastava. Era algo inexplicavelmente bom e impossível de ser sentido em outro lugar, em outro momento.

De repente, as tábuas, que faziam a mais bela varanda da rua, caem. A tinta branca craquela, mostrando a cor real da madeira. O ambiente aconchegante se transforma... Eu estava tentando mostrar o que estava acontecendo pro Eduardo, mas ele estava cego. Empurrei-o e tentei fazê-lo perceber tudo. Ele me repreendeu e disse que quando ele chegou tudo estava do mesmo jeito. Ele senta no centro de uma cama que ficava na sala, ela era de tijolos. O Edu me chama pra sentar na cama com ele, mas eu prefiri não ir. O assoalho parecia estar ficando fino, prestes a quebrar. Uns barulhos estranhos saem de dentro da cama, ruídos, me atrevo a dizer que eram latidos, uivos. O Eduardo totalmente despreocupado me olha e pergunta como eu fiz esses efeitos sonoros, se tem alguma caixa de som dentro da cama. Eu estava a-p-a-v-o-r-a-d-a!!! A cama vibrava!...

Meu pai me chama e me acorda, pois já eram 8 horas da manhã de sábado. Ufa! Descobri que tudo o que eu vivi não passava de um sonho.

Na noite daquele dia tentei terminar de sonhar o mesmo sonho, queria saber o que aconteceria no final, mas não consegui.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Síncope do vagal




Estava eu, em minha “vagalisse”,

observando os vaga-lumes,
quando me veio a mente, vagamente,
a imagem de uma semente
inconcomitantemente brilhante.



Sem mais porquês
“Sincopiei” da varanda
E sim, copiei da varanda
O levar do vento.


Como vaga-lume, desprendi-me do chão.
Como semente, caí e floresci. 

Como gente, eu escolhi:
Essa é a vida que a Deus eu pedi!